terça-feira, 30 de junho de 2020

Dia:74653 de uma Pandemia

   Em dias assim, de coração apertado, angustiado, pequeno eu escrevo. Eu escrevo , pois letras aliviam minha alma e meu ser.
   Em tempos de mudanças, de solidão , nasci como um gigante, mas um gigante cada dia mais frágil.     Derramei mais lágrimas do que gostaria , dormi mais do que deveria. Em dias de folga me faltou forças, me faltou ânimo, me sobrou angustia. Engoli a seco meus sentimentos, meus medos , minhas frustrações  vesti meu melhor traje para esconder sentimentos e fui ... Fui estar pronta para uma amiga que precisava e precisa de mim, fui para dar o máximo no meu trabalho, fui para suportar a dor da minha mãe pela nossa ausência e dizer que iria ficar tudo bem quando ela me expunha seus sentimentos de medo e saudades. Chorei quase todos os dias de angustia, de medo, de alegria ( por manter saudável ) .
   Me adaptei a ficar em casa alguns dias e sofri com isso também. pois e vi tendo tempo de pensar em tudo que vive, que criei que conquistei. Mas o mesmo tempo que tive de revirar meu passado e ver de onde sai para onde cheguei, foi oque tive para ver tudo que sonhei e não conquistei. E o tempo perdido nesses pensamentos me deram aberturas para questionamentos. Como... onde estarei quando finalmente fizer 40 anos ( e olha isso esta bem perto de acontecer ).
   Questionei minhas decisões.
    Deixei o coração sangrar , mesmo que em meu quarto fechada para o mudo, chorei até molhar o travesseiro.
   Li livros de auto ajuda, comecei cursos que não terminei. Perdi dias deitada vendo Tv e apreciando um bom café....olhando pela minha janela. Até aceitar que esses dias não foram perdidos. Foram dias de reconstruções internas.
   Hoje esta sendo um dia desses. De medo do que vai ser o normal daqui para frente.
   Em meio a tudo isso hoje chorei , chorei de medo , de angustia de esperança. Esperança de poder ter meus amigos por perto, esperança de ver meus pais em breve.
  Mas com o mesmo nó no estomago que tinha quando tudo isso inciou , continuo...
Continuo tentando melhorar como pessoa e quando não consigo me frusto e sofro... mas não desisto .
Continuo cm saudades de tudo e de todos que amo... e não sei quanto tempo isso vai durar
Continuo acreditando no amor.... mesmo ele não tendo acontecido ainda.

  Perco em meus  sentimentos como sempre. Pretendo voltar a fazer um diário bem adolescente .
  E após um mar de lágrimas e letras perdidas o nó não se desata .. as ele afrouxa sabe, como se fosse um abraço de mãe, um colo de amigo.

  E posso seguir em frente , até a próxima crise existencial, de choro , de angustia e de libertação.


  Como diria um amigo, quem não teve surtos nesse tempo de Pandemia não é normal.



Então um brinde a normalidade dos meus surtos , em meu sofá olhando meu pé de romã e procurando o centro e o equilíbrio da minha existência e da minha vida